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Capitão Júlio da Costa Pinto

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1default Capitão Júlio da Costa Pinto em Sex Jun 11, 2010 12:18 am

N.Esteves

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Júlio da Costa Pinto nasceu na freguesia de Salvador, Torres Novas, em 1883, sendo o segundo filho do casal Delfina de Jesus Costa e Manuel Pinto da Costa. Pouco tempo depois, a família mudou-se para Santarém onde nasceu a filha mais nova, Isaura Pinto da Costa, em 1890. A partir do ano lectivo de 1895-96, passou a frequentar o Colégio Militar onde foi colega e amigo do Príncipe D. Luís Filipe. A 26 de Outubro de 1899, obteve o diploma do Real Colégio Militar relativo ao 4.º ano. A tragédia do incêndio no Club Artístico em Santarém, no Carnaval de 1896, levou-o ao primeiro contacto com a Rainha D. Amélia quando esta visitou as vítimas e os olhos do jovem e da sua mãe se cruzaram com os da mulher que serviria ao longo de uma vida. Nascera monárquico e monárquico morreria, mesmo que isso significasse abdicar de muito em prol de pouco. O pai, capitão do Corpo de Almoxarifes e a prestar serviço no Presídio Militar de Santarém, adquiriu um prédio com casa e quintal no sítio do Monte, com extrema a nascente com o adro da Igreja, a Rosalina da Conceição por 13750 réis, segundo escritura lavrada no Notário Público Manuel José Machado Júnior, em Santarém, de 21 de Outubro de 1901. O local e especialmente a Capela tornaram-se num marco de recordações na vida de Júlio da Costa Pinto que o perseguiram ao longo dos anos: “Conhece que a minha devoção à Capela da Senhora do Monte tem raízes velhas; e também conhece que a missa foi paga por mim mesmo quando eu não tinha um tostão na algibeira; à custa de muitos sacrifícios; e só deixou de se rezar, por falta absoluta de clero!”2. O jovem oficial de cavalaria e lanceiro, a elite da arma de cavalaria, seguiu a sua carreira militar. Em Novembro de 1907, propôs ao Ministério da Guerra a alteração do regime das escolas e a 22 de Maio de 1908 embarcou para Angola onde foi ajudante de campo do major Alves Roçadas, oficial às ordens de Henrique Paiva Couceiro e de João de Almeida. Numa carta de 4 de Outubro de 1908, o major Joaquim António Pereira propôs ao Governador Interino da Província de Angola que o alferes de infantaria Júlio da Costa Pinto fosse agraciado com a Ordem da Torre e Espada do Valor e Lealdade e Mérito por feitos de heroísmo. Em 1910, ainda em Angola, participou nas grandes reparações na estrada de Quifangongo ao Alto Dande, passou o Carnaval em Moçamedes e a partir de Agosto deslocou-se para Luanda. Após o 5 de Outubro de 1910, demitiu-se das suas funções militares em Angola acabando por ser expulso do exército pelo Governo Provisório em 1911. Numa atitude de desafio, mandou celebrar missa por alma do rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe na Igreja da Misericórdia em Luanda, a 1 de Fevereiro de 1911. Durante a década de 10, Costa Pinto envolveu-se em incursões, revoltas, movimentos tendo sempre em vista a causa monárquica. O ano de 1913 foi trágico na sua vida familiar. A irmã mais nova, Isaura, faleceu no Presídio Militar, onde o pai era o 2.º Comandante, a 18 de Maio, provavelmente de uma epidemia como a pneumónica, uma vez que foi sepultada no mesmo dia por determinação médica. A 26 de Setembro, faleceu o pai, major Manuel Pinto da Costa, vítima de um volvo quando era transportado de carro para uma Casa de Saúde em Lisboa a fim de ser operado. A 2 de Novembro de 1914, Costa Pinto foi preso na Guarda sob a acusação de conspirador. Daí, foi enviado para Lisboa onde ficou preso e incomunicável. A 27 de Agosto de 1915, participou na conspiração liderada por Miguel de Sotto Maior juntamente com Manuel Costa Alemão e um grupo substancial de militares contra o Governo de Pimenta de Castro. A conspiração consistiu num assalto sem sucesso aos quartéis de Infantaria 29 em Braga e Infantaria 20 em Guimarães e teve como objectivo a sublevação militar e a ocupação de todo o norte do país. A 31 de Janeiro de 1916, encontrava-se preso na Cadeia da Relação. Em Dezembro de 1916, envolveu-se no Movimento de Machado dos Santos que tentou unir as forças que se opunham aos democráticos e pretendia impedir o envio de homens para o campo de batalha em França (I Guerra), combater a crise económica e o governo. O fracasso do Movimento levou-o à prisão onde não recebia visitas e era interrogado constantemente. Sobre esse período escreveu: “do que tenho desgosto é de ver que houve no exército português alguém que julgasse que a atitude digna e briosa mantida pela maioria esmagadora dos oficiais presos a bordo fosse obra política monárquica em vez de ser o já evidente sintoma de altivez e energia de carácter que a sociedade de amanhã há-de ter.”3. A 31 de Maio de 1917, encontrava-se detido nos calabouços do Governo Civil de Lisboa acusado de agitação e assaltos juntamente com o ex-sargento José Lourenço Flores, Sebastião Eugénio e Francisco Paneiro. A 12 de Novembro desse ano foi preso no Presídio da Trafaria sob a acusação de ter distribuído e possuir alguns exemplares do folheto o “Rol da Deshonra”4. Costa Pinto “… que estava a ser vigiado, viajou no comboio Lisboa-Porto, saindo do comboio em várias estações para distribuir maços do panfleto a “vários indivíduos que pareciam aguardá-lo, e alguns deles oficiais do exército fardados””5. Indignado, escreveu uma carta ao Ministro da Guerra Norton de Matos a contestar a acusação. A 21 de Novembro de 1917, Costa Pinto recebeu uma contra-fé do director da Polícia de Investigação Criminal de Lisboa, Adolfo Augusto de Oliveira Coutinho, assinada pelo agente de polícia, António Augusto a expulsá-lo de Portugal durante a guerra. Seguiu da Cadeia da Trafaria para a estação de Campolide e daí para Madrid. O exílio terminou com a chegada de Sidónio Pais ao poder. Provavelmente, tal como outros monárquicos, legitimou a presidência de Sidónio Pais nos primeiros meses para depois tentar derrubar a República Nova de forma a desacreditar a República, levando à restauração da Monarquia.De 1916 até 3 de Novembro de 1918,trabalhou na Livraria Ferreira na rua Áurea, em Lisboa. A partir daí tornou-se secretário da redacção e editor do jornal monárquico tradicionalista “O Liberal”, do qual era director António Telles de Vasconcelos. Nesse período também foi explicador de instrução secundária. A 21 de Novembro de 1918, Machado dos Santos escreveu uma carta para o General Aguiar, Director Geral da Secretaria da Guerra, a pedir a reintegração de Júlio da Costa Pinto no exército. Este nunca entregou a carta. Após o assassinato de Sidónio Pais, Costa Pinto redigiu apontamentos preparativos das revoltas que se lhe seguiram e nas quais participou activamente. A 16 de Janeiro de 1919, envolveu-se na Revolta de Santarém. O boletim de propaganda republicana A Vitória indicava que Santarém não se rendera e que Júlio da Costa Pinto estava em combates no Cartaxo juntamente com Aníbal Soares, José Sucena, Rocha Martins e o Conde de Arrochela. A 19 de Janeiro, participou no Movimento de Monsanto onde comandou os combatentes civis, a chamada “Real Coluna Negra”. A coragem e determinação de Costa Pinto foram alvo de admiração de outros companheiros em Monsanto como D. José de Almeida e Vasconcelos, Hipólito Raposo, Félix Correia, António Alvarenga e que com ele partilharam a fome, ferimentos e o fogo republicano. A 25 de Janeiro foi preso pelas forças republicanas que o espancaram violentamente nas ruas de Lisboa enquanto conseguiu gritar: “Viva a Monarquia! Viva Portugal!”. A Junta Governativa do Reino de Portugal, liderada por Paiva Couceiro, conhecida como Monarquia do Norte manteve-se em funções no Porto até 13 de Fevereiro. Entre 7 de Abril e Agosto de 1919, esteve preso no Presídio Militar de Lazareto, ilha da Madeira, onde se manteve no isolamento. A 22 de Agosto de 1919, foi julgado no Tribunal Militar de Santa Clara, acusado de envolvimento no Movimento de Monsanto. Em Setembro encontrava-se preso na Cadeia Nacional de Lisboa. A 9 de Abril de 1921 foi libertado do presídio da Trafaria juntamente com treze outros presos políticos e após ter cumprido dois anos de prisão por envolvimento em Monsanto. Em Agosto de 1921, o seu meio de subsistência era vender latas de azeite “Âmbar” à comissão. No mês seguinte começou a vender seguros da “Atlas”, o que o levou a viajar frequentemente por todo o país. Essas viagens permitiam-lhe estabelecer contactos com apoiantes monárquicos e dedicar-se à sua paixão pela fotografia. Entretanto ia escrevendo para alguns jornais e passava algum tempo “a politicar”. A “Noite Sangrenta” de 19 de Outubro de 1921, em que perderam a vida Machado dos Santos, Carlos da Maia e António Granjo, apanhou-o em viagem no Algarve, onde faltavam as comunicações e abundavam os boatos. A 28 de Outubro de 1921, faleceu em S. Tiago de Cassurrães, Mangualde, a sua irmã mais velha Maria Albertina Pinto da Costa, vítima de tuberculose. As eleições de 29 de Janeiro de 1922, levaram-no a envolver-se na montagem da máquina eleitoral e a fazer uma conferência na sede das Juventudes Monárquicas, em Faro. Manteve contactos com apoiantes monárquicos como Satúrio Pires, Luís de Magalhães, Luís Vieira de Castro. Em Fevereiro desse ano participou na constituição do Centro Monárquico em Olhão e em reuniões políticas, como a de Moncarapacho que terminou em tiroteio. A vida de vendedor de seguros aborrecia-o perante o vazio de acção nesse acto de sobrevivência, “recomecei a vida de sempre, horrível”6. Sempre que visitava Santarém encontrava-se com alguns dos seus amigos como João Arruda e Laurentino Veríssimo com quem participou na preparação do Congresso Ribatejano. Em 1922, conheceu Homem Cristo Pai e Pedro Homem de Melo de quem se tornou amigo. Nos momentos livres, dançava, ia ao animatógrafo, dormia, lia Balzac “o eterno mestre da vida, o mais assombroso conhecedor da alma humana”7 e cobrava as cotas da Associação de Auxílio aos Monárquicos. Em Outubro de 1923, abandonou a Companhia de Seguros Atlas para, mais tarde, iniciar actividade na Vacuum Oil, companhia que o homenageou em 1942. Na sequência da morte de D. Manuel II, em 1932, acabou por se envolver em polémica com Alfredo Pimenta a partir de um artigo no jornal República, em Fevereiro de 1933. A sua mãe, Delfina de Jesus Costa, faleceu em Lisboa a 20 de Janeiro de 1935. O falecimento da sua única familiar directa abalou-o profundamente. O dia 20 de Janeiro tornou-se um dia de culto na vida de Júlio da Costa Pinto que se fotografava como que para perpetuar o momento. Após o incêndio que devastou o Santuário da Penha a 16 de Fevereiro de 1939, envolveu-se na sua reconstrução oferecendo uma imagem de Nossa Senhora e de um crucifixo em pau-santo e marfim do século XVIII. Com o início da II Guerra Mundial e a na consequência da entrada dos alemães em França, telegrafou a Salazar: “Respeitosamente peço licença a V. Ex.ª actual situação Sua Majestade Rainha Senhora D. Amélia em risco Versailles pois decerto coração português acolhê-la-á Portugal neste momento tão angustioso.”8. Em 1942, o Irmão da Irmandade da Senhora do Monte decidiu recuperar a degradada Capela do Monte em Santarém assim como algumas casas envolventes destinadas ao sacristão e às merceeiras. Apesar das adversidades, o seu lema era “Desistir, não.”9. A 14 de Junho de 1943, foi homenageado num almoço na Quinta das Ómnias, em Santarém. Nesse mesmo ano, integrou a Comissão que inventariou os bens pertencentes à Fundação Casa de Bragança. Entre 1945 e 25 de Outubro de 1951, tornou-se secretário da Rainha D. Amélia, acompanhando-a no Château de Bellevue, Chesnay, França, com a devoção de estar a prestar um serviço à sua Rainha e à causa em que acreditava. Em Novembro de 1946, o Ministro das Colónias, Marcello Caetano, atribui-lhe a medalha de serviços relevantes, quando este já tinha sido reintegrado na carreira militar com o posto de capitão. A 15 de Dezembro de 1953 foi admitido como Irmão da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, instituição a quem doou os seus bens imóveis. Nas décadas de 30, 40 e 50 proferiu diversas conferências sobre as suas actividades em prol da monarquia, África, defesa do património (Capela do Monte, Torre da Trindade). Também colaborou com as Comissões da Feira do Ribatejo ao acompanhar comunidades estrangeiras (belga, francesa, italiana). No Verão de 1957, deslocou-se a S. Tomé e a Angola onde encontrou velhos amigos e percorreu a terra que conhecera na sua juventude. No regresso, proferiu a conferência “Angola na Saudade de um Velho Pioneiro” na Associação Académica de Santarém e na Casa da Madeira. Júlio da Costa Pinto defendia o império ultramarino português não hesitando em oferecer-se para combater todos o que o perigassem, como sucedeu no caso da Índia. O Professor Joaquim Veríssimo Serrão publicou em 18 de Julho de 1964, no Correio do Ribatejo, o artigo “Júlio da Costa Pinto Amigo de Santarém”, onde enalteceu a figura do padrinho e sugeriu que a Câmara Municipal de Santarém o distinguisse com a medalha de ouro da cidade pelos serviços prestados em favor do património e pelas visitas que orientou na cidade quer a nacionais quer a estrangeiros. Júlio da Costa Pinto faleceu a 24 de Julho de 1969, no Hospital de S. José em Lisboa onde se encontrava doente há vários dias. O seu funeral saiu da Igreja das Mercês em Lisboa para o jazigo n.º 229, no Cemitério de Santarém onde se uniu aos pais e irmãs para na “Minha Terra, doce Terra, deixa-me em ti descansar”
Texto de autoria de Teresa Lopes Moreira.

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